Selma Santana, Psicopedagoga ClínicaFale comigo
Para famílias

Dificuldade para aprender a ler: quando pode ser dislexia

Criança em atendimento de leitura com a psicopedagoga Selma Santana

Ver um filho com dificuldade para aprender a ler preocupa qualquer família. A leitura é a base de quase tudo na escola, então, quando ela não flui, a criança sente e os pais também. A boa notícia é que existe muito o que fazer, e entender os sinais ajuda a decidir o melhor momento de buscar apoio.

Como a leitura se desenvolve

Aprender a ler não é um passo único, é um processo. Primeiro a criança percebe que as letras representam sons, depois junta esses sons em sílabas e palavras e, aos poucos, ganha fluência e passa a compreender o que lê. Cada etapa leva um tempo, e é normal haver oscilações no caminho.

Por isso, um tropeço pontual não é motivo para alarme. O que merece atenção é a dificuldade que persiste, que não acompanha o ritmo esperado para a idade e que aparece mesmo com estímulo em casa e na escola.

Sinais de alerta na leitura

Alguns comportamentos aparecem com frequência quando a leitura está custando mais do que deveria:

  • Troca, inverte ou omite letras e sílabas ao ler, mesmo depois de alfabetizada.
  • Lê muito devagar, soletrando, e se cansa rápido.
  • Adivinha a palavra pelo começo em vez de ler até o fim.
  • Entende pouco do que acabou de ler e precisa reler várias vezes.
  • Evita ler em voz alta e fica desconfortável quando é chamada para isso.
  • Confunde palavras parecidas e perde a linha durante a leitura.

Quando a dificuldade pode ser dislexia

A dislexia é um transtorno específico da leitura, de origem neurológica. Ela não tem relação com inteligência nem com falta de esforço. Crianças com dislexia costumam ser muito capazes em várias áreas e, ainda assim, encontram uma barreira persistente justamente na leitura e na escrita.

O que diferencia a dislexia de uma dificuldade passageira é a persistência e a intensidade. Os sinais se mantêm ao longo do tempo, aparecem em casa e na escola e não melhoram apenas com mais repetição. Só uma avaliação cuidadosa pode confirmar, porque muitos fatores podem afetar a leitura, e o objetivo é entender exatamente o que está acontecendo com aquela criança.

O que evitar

Na hora de ajudar, alguns cuidados fazem toda a diferença:

  • Evite rótulos como preguiçosa ou desatenta. Eles ferem a autoestima e não explicam nada.
  • Não compare com irmãos ou colegas. Cada criança tem o seu tempo.
  • Não transforme a leitura em castigo. Quanto mais tensa a experiência, mais a criança se afasta dos livros.

Como ajudar

Ler junto todos os dias, sem cobrança, é um dos maiores presentes que uma família pode dar. Vale escolher livros do interesse da criança, revezar a leitura e valorizar cada avanço, por menor que seja. Um ambiente acolhedor faz a criança se sentir segura para tentar.

Se os sinais são persistentes e já vêm afetando a relação dela com a escola, uma avaliação psicopedagógica ajuda a identificar a causa e a traçar um plano com estratégias específicas. Com o apoio certo e no tempo certo, ler deixa de ser um peso e volta a ser descoberta.

Ficou com alguma dúvida sobre seu filho?

Me conte o que está acontecendo. Juntos, encontramos o melhor caminho para a aprendizagem dele.

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